Emergentes perdem fôlego, afirma OCDE

By | agosto 10, 2012 at 4:03 pm | No comments | Mundo | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

De O Globo em 10/08/2012

Paris e Pequim. Uma série de dados divulgados ontem reforça a percepção de que a crise da dívida da zona do euro já se reflete no desempenho das economias emergentes. Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma haver desaceleração em Rússia, China e Índia, com base no Índice Composto dos Principais Indicadores (CLI, na sigla em inglês) de junho. Para o Brasil – que, com os demais, forma o grupo de economias emergentes chamado Bric -, a OCDE vê “retomada moderada da atividade econômica”. A China, por sua vez, ainda registrou desaceleração na produção industrial e na venda de automóveis no mês passado.

A OCDE, que reúne 33 países, entre os quais as principais economias industrializadas, afirmou que a Rússia parece prestes a enfrentar uma desaceleração econômica. Índia e China – apesar de o CLI desta ter ficado estável – também mostram sinais de desaceleração. A Rússia registrou a maior queda: de 100,3 para 99,5 pontos. O CLI, que leva em consideração dados macroeconômicos e financeiros de cada país, tem como base uma leitura média de longo prazo de 100 pontos.

O índice do Brasil ficou estável, mas a OCDE afirmou que os dados apontam uma aceleração da atividade econômica, ainda que mais moderada que na pesquisa do mês passado.

O indicador geral para a área da OCDE, estável em 100,4 desde fevereiro, recuou para 100,3 pontos em junho. O único país a registrar melhora foi a Grã-Bretanha, cujo índice avançou de 99,8 para 99,9, apontando retomada da atividade econômica.

A Alemanha, maior economia da zona do euro, também viu seu índice recuar. A avaliação da OCDE sobre a economia alemã é a de que o crescimento continuará fraco. A mesma análise foi feita para França, Canadá e a zona do euro como um todo. Nos Estados Unidos, o crescimento será moderado.

Inflação chinesa recua para 1,8%

Enquanto isso o governo chinês informou que a produção industrial cresceu 9,2% em julho, contra 9,5% no mês anterior. Foi o menor patamar desde maio de 2009. Economistas ouvidos pela agência de notícias Reuters projetavam expansão de 9,8%. Segundo analistas, o resultado abaixo das estimativas pode levar Pequim a adotar mais ações a fim de cumprir a meta de crescer 7,5% este ano.

As vendas no varejo e o investimento em ativos fixos também ficaram aquém das previsões do mercado, de acordo com dados oficiais divulgados ontem. A inflação ao consumidor anual, por sua vez, recuou para uma mínima de 30 meses no mês passado, sugerindo que o Banco Popular da China (o banco central do país) tem amplo escopo para afrouxar ainda mais a política monetária, depois de cortar a taxa de juros em junho e julho.

- Avaliamos que a fraqueza será mais persistente do que as pessoas esperavam – disse à Reuters Li Wei, economista do banco Standard Chartered. – Minha opinião é que a retórica política está perdendo sua eficácia para elevar a confiança, e são necessárias ações reais para impulsionar o crescimento.

A inflação no varejo recuou de 2,2% para 1,8%, anualizados, no mês passado. Em julho de 2011, atingira 6,5%. Economistas consultados pela Reuters esperavam que inflação de 1,7%. Na comparação mensal, a alta foi de 0,1%, contra expectativa de queda de 0,1%.

- Está claro agora que o índice de preços ao consumidor provavelmente ficará abaixo da meta de 4% para o ano, portanto o governo pode se concentrar claramente no crescimento – disse à Reuters Zhang Zhiwei, economista-chefe do banco Nomura para a China.

Já o índice de preços ao produtor caiu 2,9% em julho ante o mesmo período do ano passado, contra projeção de queda de 2,5%. Foi o maior recuo desde outubro de 2009 e o o quinto mês consecutivo de queda.

O crescimento anual de investimento em ativos fixos, como em imóveis, estradas e pontes, ficou em 20,4% entre janeiro e julho, inalterado em relação ao período de janeiro a junho e pouco abaixo da previsão de 20,5%. Já o crescimento das vendas no varejo, o maior condutor da expansão da economia no primeiro trimestre, recuou para 13,1%. Analistas esperavam 13,7%.

Crescimento cada vez menos chinês

O crescimento econômico vem desacelerando desde o começo de 2011, tendo atingido 7,6% no segundo trimestre, o ritmo mais fraco desde o estouro da crise financeira global. Analistas consultados pela Reuters antes da divulgação dos dados projetavam expansão de 7,9% para o trimestre corrente e de 8% no ano.

Outro indicador desfavorável para a China foi a desaceleração nas vendas de veículos. Estas registraram alta de 8,2% no mês passado, frente a julho de 2011, para 1,38 milhão de unidades, informou ontem a associação local das montadoras. Isso seria reflexo do desaquecimento da economia e da menor confiança dos consumidores. Em junho a alta fora de 9,9%, e em maio, de 16% – em parte, devido ao lançamento de novos modelos no Salão do Automóvel de Pequim, em abril.

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