Do O Globo – 16/05/2012
País vizinho acena com fim das restrições à carne suína, mas quer mercado para seus produtos.
Após uma reunião de quatro horas, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o chanceler argentino, Héctor Timerman, anunciaram ontem uma trégua e a retomada das negociações bilaterais. Foi firmado um compromisso para que as pendências comerciais sejam resolvidas em até 120 dias. Mas tudo indica que a Argentina continuará dificultando o intercâmbio se o Brasil não abrir seu mercado para frutas cítricas, camarões e medicamentos.
Na entrevista coletiva, Timerman informou que, nos próximos dias, serão eliminadas as quotas para as compras de carne suína brasileira. Quando perguntaram ao chanceler se essas restrições iriam realmente desaparecer, o ministro do Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno – visto como mentor do protecionismo argentino -, tomou o microfone e respondeu:
- As duas delegações decidiram que o importante é incrementar o comércio argentino. À medida que isso se manifestar na redução do déficit da Argentina com o Brasil (US$ 426 milhões este ano) e nos permitir exportar ao Brasil mais medicamentos, uvas-passas, têxteis e cítricos, o problema da carne suína desaparece.
Embora os ministros não tenham mencionado as barreiras às exportações, o tema foi tratado nos bastidores. Mas o Brasil não acenou com a liberação de itens perecíveis do país vizinho. Timerman defendeu a ampliação da lista de produtos cujas tarifas de importação subirão em até 35%, para que o Mercosul se defenda da invasão de importados de terceiros mercados, como a China. Discute-se uma relação de cem itens para cada país. A decisão ocorrerá no fim de junho