O significado da globalização tecnológica

By | abril 12, 2011 at 2:33 pm | No comments | Barbara Lopes, Colunistas | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Alguns autores, como Reinaldo Gonçalves (2003), explicam que a Globalização econômica é sustentada por quatro pilares: Comercial, Produtiva, Tecnológica e Financeira. Como cita o autor: “A dimensão tecnológica envolve, em grande medida, a transparência de know how ou diretos de propriedade por intermédio de relações contratuais (Gonçalves, 2003a, p.25)”.

Para Gonçalves, a esfera tecnológica é uma das principais determinantes da globalização. Nessa nova fase do capital, cada vez que a produção supera a absorção de bens e serviços por parte dos consumidores, a saída escolhida pelos capitalistas é, em geral, norteada pela chamada “saída shumpeteriana”.

De acordo com Shumpeter (1961), criador da teoria, os produtores promovem uma “Nova onda tecnológica”, desta forma, a empresa capitalista sempre teria lucros, e sobreviveria á competitividade da livre concorrência. Tal fenômeno é intitulado “destruição criadora”.

Esta “destruição” tem como objetivo atualizar e modernizar bens e serviço. Com esta modernização haverá tanto o escoamento da produção, a fim de satisfazer os novos desejos dos consumidores; como, por outro lado, os empreendedores obterão um lucro acima da média para novos investimentos.

Outros autores ressaltam que uma das principais razões que contribuíram diretamente para a crise internacional, teria sido a falta de inovações tecnológicas. Como citado por Carneiro (2002, p.49): “Para Fajnzylber (1983) e Teixeira (1993), o período marcado pelo fim de Bretton Woods, está fortemente ligado pelo esgotamento de onda de inovações, em cujo dinamismo assentou-se o crescimento das economias capitalista no pós-guerra”.

Desta maneira, a partir das transformações propostas pelos EUA para a reestruturação do Sistema Capitalista nas décadas de 70 e 80, os países centrais comandaram o processo da vanguarda tecnológica.

Houve um investimento de centenas de bilhões de dólares por parte das potências capitalistas para que elas pudessem estar à frente das inovações tecnológicas. Em linhas gerais, a RCT transformou-se em peça chave para que estes países se mantivessem no núcleo da esfera produtiva do Sistema.

Como ressalta Chesnais (1996, p.141): “Os grandes grupos industriais mundiais têm, invariavelmente, despesas muito elevadas de P&D. A tecnologia é uma dimensão central de sua atuação internacional. É também um dos campos determinantes onde se entrelaçam as relações de cooperação e concorrência entre rivais”

Com as reformas (neo) liberalizantes a partir do projeto “Guerra nas Estrelas” ou Iniciativa de Defesa Estratégica (IDE) da Era Reagan, as transformações tecnológicas – principalmente, das áreas de microeletrônica, informática e telecomunicações – passaram a ter uma importância crucial na busca pela liderança mundial.

A preocupação com o desenvolvimento econômico associado ao progresso tecnológico tornou-se um dos principais instrumentos de inserção ativa de um país nas relações político-econômicas contemporâneas.

Com o aumento da competitividade entre os países, á medida que estes se equiparam com modernos aparatos produtivos, o meio técnico-científico passa a atuar em todas as esferas da Economia, principalmente, o setor produtivo-comercial, sendo este um fator vital para a manutenção do crescimento. Desta forma, a importância do meio científico-tecnológico tomará proporções imensuráveis.

Como resume Moreira (1997), sob o contexto da onda neoliberal, os países que almejassem um crescimento expressivo nas relações internacionais, teriam que introduzir em suas respectivas políticas domésticas tal agenda. Para tanto, os esforços de alguns Estados, para esta aplicação foram ousados e intensos: “(…) Os pontos de mudanças foram: reorganização da divisão do trabalho, fator imprescindível para a compreensão do capitalismo em escala mundial, o que manifestaria, sobretudo, a crescente concorrência internacional, pois, para retomar o crescimento é preciso competir e vencer, assim a competitividade passa a ser o motor da globalização, assim como foi o “progresso” no início do século XX, e o “desenvolvimento” no pós-segunda (…).(Moreira apud VIZENTINI, 1998a, p.38)”

É neste contexto de competitividade e inovações tecnológicas que, devemos enfatizar que no ano de 2010, a Millward Brown – empresa líder mundial em consultoria e pesquisa de mercado – realizou um estudo que continha as 100 empresas mais valiosas do mundo. Nesta lista encontramos mais de 10 multinacionais no meio de eletrônico/informática, e das cinco primeiras do ranking, quatro, são do setor de tecnologia (C&T.I): Google; IBM; Apple; Microsoft e Colca-Cola, respectivamente.

Na esfera estatal, uma alta taxa de crescimento e uma relativa autonomia no setor tecnológico, são alguns dos pilares que o promovem de uma maneira ativa no sistema internacional.

Os países do Centro mantiveram-se no núcleo da esfera produtiva e, desta forma, até hoje, são as principais potências do setor de Tecnologia. Isto se deve, entre diversos fatores, a massivos investimentos na produção nacional de C&T.I nos anos 70-80.

Neste mesmo período, a América Latina passava por uma grave situação político-econômica. Os ajustes econômicos, ou como Chesnais (1996) escreveu “as adaptações” das diversas economias periféricas às premissas neoliberais, promoveu um grande choque nas economias subdesenvolvidas.

Ao inserirem as práticas neoliberais em suas políticas domésticas, os países localizados na América Latina passaram por uma forte crise econômica, o que comprometeu o desenvolvimento da região.

Ao contrário do que era defendido pelos países centrais, ao estimularem os Estados periféricos á adotarem as políticas de caráter neoliberal, como veremos nas seções seguintes, a inserção expressiva na esfera internacional, por parte destes países subdesenvolvidos não ocorreu.

Um significativo endividamento estatal, uma alta vulnerabilidade externa associada a uma clara dependência tecnológica foram alguns dos resultados obtidos pelos Estados Latino-Americanos que procuraram adotar as políticas neoliberais nos anos 80 e 90.

Bárbara Lopes

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